Decido que vou dançar!
Uma vez que o movimento
começa, minhas dúvidas desaparecem!
Eu não ligo para quão
pretensiosa é a rotina de realizar as mesmas poses toda semana pela milésima
vez em mais uma boate idiota. Eu esqueço das rodopiantes nuvens de angústia
colegial que me cercam. A música que penetra em meu crânio soa vagamente
repetitiva, mas eu sequer paro para pensar no que realmente é...
Eu só espero que alguém venha
e me leve para longe disso tudo...
E é melhor que ele venha fazer
isso imediatamente!
Se a minha dança não
funcionar, sei como a noite vai acabar: vou cambalear até a minha casa,
assistir um soft porn no Multishow e sonharei com um futuro melhor...
Por favor... alguém acabe com
isso!
Com o canto dos olhos, percebo
que meus movimentos realmente conjuraram alguém...
Cabelos pretos, calças pretas,
camisa de uma banda que eu não consigo identificar e botas lindas “de morrer”.
Ele atravessa a pista de dança, diretamente até onde eu estou, desfilando pela
boate como se realmente pertencesse àquele meio (apesar do pequeno ankh de
prata que traz pendurado em seu pescoço). Há quanto tempo aquilo saiu de moda?
E ainda usando óculos escuros aqui dentro?
Que babaca...
Igualzinho à mim...
Ele passa por um garoto
magricelo cheio de pose, e repentinamente vira de costas para mim, para dar um
susto no menino...
O moleque pula para trás,
derrubando sua bebida enquanto corre para a porta!
Sim, eu conheço esse tipo: ele
acha que é o “Amante Infernal”...
E eu acho que ele está levando
a brincadeira gótica longe demais!
Como se eu pudesse falar
alguma coisa, né?
Mas... perdedor ou não... até
que ele é bonitinho...
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